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Os
sistemas de acompanhamento
Observatório
Phoenix
Dúvidas
e Perguntas?
Quando
escolhemos um astro, apontamos um telescópio e decidimos mostrá-lo a alguém,
é comum escutarmos a reclamação: não estou vendo nada! A estrela andou
e saiu fora do campo!
Será verdade? Não, o movimento observado não é do astro, e sim da Terra
que está girando em torno de seu eixo no movimento de rotação diário.
Este movimento é nosso velho conhecido! Mas como estamos deslocando junto
com a Terra, nos parece que os astros é que se movem.
Desde que o sistema geocêntrico de Cláudio Ptolomeu foi derrubado e
Nicolau Copérnico instituiu o sistema heliocêntrico, em 1444, sabemos que
a Terra é que se move no espaço.
Todos já vimos o movimento diário do Sol, mas normalmente não o ligamos
aos outros astros. Como é um movimento muito lento, não damos a devida
importância ao fato, mas quando usamos um telescópio este movimento se
torna muito mais evidente e chega a impedir alguns tipos de observação e
a astrofotografia. Trabalhando com grandes aumentos vemos claramente os
objetos se deslocando pelo campo e temos de corrigir continuamente a posição
do aparelho.
Temos
como neutralizar este movimento? Claro! Basta fazer girar nosso telescópio
em torno do mesmo eixo, com a mesma velocidade de rotação, no sentido
oposto ao da rotação da Terra.
Para
isso precisamos conhecer duas coisas: a posição do eixo da Terra e sua
velocidade de rotação.
Conhecida a direção Norte-Sul sobre o horizonte (Nh-Sh) e a declinação
(d) do local (O) do observador, podemos orientar
facilmente este eixo. Como os astros estão muito distantes de nós o eixo
não precisa ser exatamente coincidente com o eixo da Terra. Um eixo
paralelo a ele nos serve perfeitamente.
Nosso
eixo polar ficará assim perfeitamente alinhado com o pólo Sul celeste. Em
seguida temos que girar este eixo através de um dispositivo acoplado a
ele. Existem hoje no mercado vários sistemas computadorizados que
conseguem tracionar um telescópio em uma montagem altazimutal, mas esta
montagem não se presta à astrofotografia, devido à rotação da imagem
durante o acompanhamento.
A
velocidade de rotação da Terra também é fácil de ser obtida. Neste
caso não podemos usar o tamanho do dia solar, que tem 24 horas, e sim do
dia sideral (Veja na seção Astronomia - O tempo). Feitas as correções
devidas ao movimento orbital chegaremos a um dia de 23 horas 54 minutos e 4
segundos. Na prática, 23 horas e 54 minutos.
Isto significa que a Terra faz uma rotação a cada 1.434 minutos, ou seja
0,00069735 rpm (6,9735.10-4 rotações por minuto).
Note
que todos os telescópios do mundo devem girar no mesmo sentido, mas como
os eixos polares dos dois hemisférios estão apontados em sentidos
opostos, os motores de acionamento devem ter o sentido de rotação próprio
para cada hemisfério. Muitos dos telescópios importados para o Brasil,
giram no sentido errado, o que impede o uso do sistema.
Para
conseguir uma rotação baixa temos de usar diversas reduções em série.
Com uma relação de redução tão grande, o motor de acionamento pode ser
pequeno e com uma potência mínima. Agora basta construir um mecanismo com
estas características:
Os
melhores sistemas de acompanhamento usam conjuntos de engrenagens tipo
"sem-fim/coroa" com coroas de grande diâmetro. Este sistema mecânico
tem a característica de conseguir grandes reduções com um número
reduzido de peças, boa precisão de acompanhamento, possibilidade de
eliminação de folgas e tracionamento durante períodos longos, no entanto
a construção das coroas é complicada e cara. Vários telescópios
japoneses vêm com engrenagens deste tipo em suas montagens equatoriais,
mas as coroas têm um diâmetro muito pequeno e não conseguem boa
qualidade no tracionamento.
Alguns
fabricantes usam engrenagens comuns, de dentes retos, mas este sistema não
consegue eliminar completamente as folgas e gera erros periódicos no
acompanhamento a cada mudança de dente. Apesar destas deficiências, é um
arranjo muito utilizado devido ao custo mais baixo.
Uma
alternativa adotada pelos astrônomos amadores é o uso um sistema de
acompanhamento tipo setor circular. Apesar de conseguir períodos
relativamente curtos de acompanhamento, pode usar setores de grande raio,
que permitem um tracionamento preciso e suave com mecanismos de construção
mais simples e baratos. Ele consiste em um setor circular com cerca de 30
graus (duas horas de acompanhamento), normalmente feito de madeira, que é
tracionado por um fio. Outro fio, do lado oposto, é mantido esticado por
uma massa P que elimina as folgas. A tração T pode ser de vários tipos.
O
mais usado é um parafuso com passo conhecido que puxa uma porca. O
tracionamento é bastante preciso, mas chegando ao fim do curso, o sistema
tem de ser desligado e a porca retornada. Este parafuso pode ser acionado
por um motor ou um mecanismo de relógio e até manualmente.
Alguns
amadores usam o tracionador tipo "sarilho", que enrola ou
traciona o fio por atrito. Este sistema tem a vantagem de permitir um
retorno mais rápido ao chegar no fim do curso.
Uma
terceira alternativa é a adoção de um rolo de tração que fricciona
diretamente sobre o setor circular sob a carga de uma mola ou o próprio
peso do equipamento, para evitar o 'patinamento'.
Outra
alternativa é usar um revestimento pré-formado sobre a borda, que simula
o setor de uma coroa gigante. Neste caso o tracionamento se faz através da
rotação de um parafuso tangente ao setor, como um pinhão sem-fim. O
material do revestimento é nylon ou PVC onde foi estampada uma imagem da
rosca através da prensagem de uma barra rosqueada aquecida. Para retornar
quando atingido o final de curso, o mancal é afastado permitindo o
movimento isolado do setor
Um
sistema similar, baseado no mesmo princípio, usa uma barra rosqueada com o
formato do arco de circunferência. Neste caso somente um braço é ligado
ao eixo e suporta o mecanismo de acionamento. A engrenagem pequena colocada
no eixo do motor (de velocidade ajustável) engata na engrenagem maior
solidária à porca; essa, ao girar, desloca o braço ao longo da haste
rosqueada.
Qualquer
destas alternativas pode solucionar o problema, mas é bom lembrar que para
usá-los, o telescópio deve estar orientado em uma base fixa, ou ter um
tripé com dispositivos que permitam sua remoção/instalação sem perder
as referências de alinhamento.
06-ago-2003
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