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...
eppur si muove
... mas ela se move
Dúvidas
e Perguntas?
Estas
palavras foram ditas, segundo alguns historiadores, por Galileu
Galilei (1564-1642), referindo-se à Terra, depois de
jurar perante o Santo Ofício, que renegava a todas suas idéias
publicadas no Dialogo e que estava arrependido de ter
divulgado tal heresia. Agindo assim, com a complacência do Papa
Urbano VIII e pela sua idade avançada, Galileu conseguiu escapar das
torturas e do calabouço, mas foi mantido recluso pelas autoridades
eclesiásticas, em prisão domiciliar, até a sua morte.
Embora Heráclides
(388-315 AC) tenha afirmado a rotação da Terra e Aristarco
(310-330 AC) tenha divulgado sua translação, estas idéias foram
rejeitadas por Hiparco e
posteriormente por Ptolomeu e
pela igreja.
Mas,
apesar da proibição, algumas cópias do Dialogo, que
defendia os movimentos da Terra em torno do Sol e discutia as teorias
de Nicolau Copérnico (1473-1543) e de Cláudio Ptolomeu, saíram da
Itália e foram divulgadas pela Europa, revolucionando o pensamento
científico da época.
Desde então os movimentos da Terra foram mais bem estudados pelos
astrônomos, físicos e matemáticos, e medidos com instrumentos mais
sensíveis e precisos. Vários movimentos, resultados de interferências
e ressonâncias gravitacionais do Sol e dos planetas, afetam ou
alteram de maneira significativa os movimentos básicos. Hoje
conhecemos centenas de maneiras diferentes nas quais estas alterações
ocorrem.
Três
destes movimentos podem ser facilmente observados.
O
movimento diário - Rotação
O movimento diário do Sol, da Lua e das estrelas se
deslocando no céu não tem como passar despercebido. O problema é
definir o que realmente acontece. Quando nos deslocamos a velocidade
constante, em linha reta, dentro um veículo qualquer, o espaço
circundante interno nos parece fixo. Podemos ler as mensagens
escritas nos painéis e ver detalhes pequenos do interior deste veículo
como se estivéssemos parados. Tudo nos parece em repouso. No
entanto, se olharmos pela janela, veremos a paisagem se deslocando a
uma velocidade vertiginosa. A primeira impressão é que a paisagem
é que se desloca, já que não sentimos nenhuma aceleração sobre
nossos corpos. Mas se nos colocarmos fora do veículo poderemos ver
claramente seu deslocamento. O que fazemos, ao nos colocar ao lado de
sua trajetória, é criar um novo referencial, de onde o movimento
pode ser observado e descrito. De maneira similar, podemos estender
este raciocínio ao nosso planeta.
Se pudéssemos
nos colocar fora da Terra, digamos, a 50.000 km de distância, veríamos
que o Sol e as estrelas estão praticamente fixos no espaço e que é
a Terra que gira em torno de seu eixo. Este movimento tem um período
médio de 23 horas e 56 minutos. Como a Terra não é um corpo rígido,
e com uma distribuição de massas irregular, ela é ligeiramente
deformada pela rotação, que varia em períodos regulares. Uma das
causas desta variação é a flutuação sazonal.
Outra é o retardamento devido ao atrito das marés.
O
movimento mensal - Revolução
Apesar de ser o segundo movimento mais amplo, e com um período
relativamente curto de 27 dias, 7 horas e 43 minutos, é o menos
conhecido, a revolução do sistema Terra-Lua.
Se nos
afastarmos mais um pouco no espaço, digamos, a 1.000.000 km, poderíamos
ver a Terra e a Lua dançando como um par de bailarinos. É que Lua não
gira exatamente em torno da Terra. Tanto a Terra quanto a Lua giram
em torno de um ponto intermediário, o centro de massas do sistema
(CM), também chamado baricentro ou centro de revolução. Por este
motivo é que o sistema Terra-Lua costuma ser chamado de
"planeta duplo". Para complicar um pouco mais as coisas a
distância entre os dois ainda se altera entre um máximo (apogeu -
406.680 km) e um mínimo (perigeu - 356.410 km) devido à grande
excentricidade da órbita da Lua. A alteração desta distância
provoca grande irregularidade sobre a velocidade angular do sistema
além de desencadear várias anomalias na rotação da Terra, como a precessão,
a nutação, o movimento dos pólos,
etc.
O
movimento anual - Translação
Se nos afastarmos ainda mais, para uma distância de
500.000.000 km, poderíamos ver que a Terra tem um movimento anual,
seguindo uma órbita quase circular, em torno do Sol com um período
de 365 dias, 6 horas, 9 minutos e 9,5 segundos.
Olhando
mais detalhadamente, poderemos ver que a Terra, na verdade, não
percorre exatamente o traçado de sua órbita. Quem segue este traçado,
obedecendo às leis de Kepler, é o CM do sistema Terra-Lua, que ao
girar provoca a desigualdade mensal da Terra
enquanto que a gravidade do Sol induz a evecção,
a recessão dos nodos e o avanço
da linha das apsides.
Movimentos
secundários
A combinação dos três movimentos principais, rotação,
revolução e translação, em uma região sujeita a influências
gravitacionais de todos os outros componentes do sistema solar gera
anomalias e instabilidades orbitais que acabam afetando os próprios
movimentos originais, e criando centenas de movimentos periódicos.
Vamos nos limitar a alguns deles:
Avanço
da linha das apsides
A linha das apsides é o eixo maior de uma órbita elíptica,
que une o perigeu e o apogeu, passando pelos focos. Devido à atração
do Sol alinha das apsides da órbita do sistema Terra-Lua avança
40,7 graus por ano, fazendo portanto, um giro completo a cada 8,85
anos.
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Desigualdade
mensal
O movimento orbital da Terra se afasta bastante do
movimento previsto, principalmente devido à rotação do sistema
Terra-Lua. A rotação da Terra em torno do baricentro faz que ela
ora esteja adiantada, ora atrasada em relação a este ponto.
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Deslocamento
do centro de revolução do sistema solar
Da mesma maneira que o centro de rotação do sistema
Terra-Lua é deslocado para o baricentro, o centro de revolução dos
planetas é situado no centro de massas do sistema solar. Apesar de
99% da massa do sistema estar concentrada no Sol, o baricentro do
sistema é deslocado para fora do Sol, principalmente pela grande
massa de Júpiter. Enquanto os planetas giram, com seus diferentes
períodos, este ponto "flutua", alterando o centro de
revolução da Terra, que acompanha estas modificações.
Deslocamento
do periélio
Ou variação
secular do periélio ocorre em virtude das influências
gravitacionais dos outros planetas. O eixo maior da órbita
terrestre, a linha das apsides, gira com um período de cerca de
21.000 anos. O periélio, que atualmente ocorre em 2 de janeiro irá
sendo lentamente atrasado.
Deslocamento
do Sol
Se em vez de observarmos a órbita terrestre de um ponto
superior nos deslocarmos lateralmente para um ponto sobre este plano,
veremos que o sol se desloca no espaço na direção do apex solar,
arrastando com ele todo o sistema solar.
Como os
planetas giram simultaneamente em torno do Sol o movimento observado
será de uma trajetória helicoidal.
Flutuações
sazonais
São alterações na velocidade de rotação da Terra
causadas pela redistribuição das massas, principalmente na
atmosfera, devidas às alterações de temperatura durante as várias
estações do ano ou à quantidade de radiação recebida como
resultado das alterações na atividade do Sol.
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Evecção
A evecção é a alteração da excentricidade da órbita
da Lua, fazendo com que ela flutue entre 0,0432 e 0.0666, alterando
significativamente a posição da linha das apsides durante a revolução.
Este fenômeno já era conhecido por Hiparco, dois séculos antes de
Cristo, e é causada pela atração do Sol.
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Movimento
dos pólos
O movimento dos pólos está ligado aos efeitos
gravitacionais externos da Lua e do Sol, mas é afetado por uma
terceira característica: a falta de rigidez da Terra, que permite um
movimento da crosta sólida em relação a seu núcleo.
Este
movimento tem duas componentes, uma com amplitude de 3 metros e período
de um ano, e outra, com amplitude de 5 metros e período de 347 dias.
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Nutação
A nutação é uma irregularidade no movimento de precessão,
com período de 18,6 anos, que faz com que a posição do eixo da
Terra oscile em torno da linha do deslocamento do eixo da Terra na
precessão.
Suas
causas básicas são as mesmas do movimento de precessão.
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Perturbações
periódicas de curto período
Estas perturbações modificam ligeiramente a órbita da
Terra e são causadas pelos planetas, principalmente Júpiter, por
sua grande massa, e Vênus pela sua proximidade.
Precessão
Chamamos precessão ao movimento de rotação do eixo de
rotação de um corpo rígido que gira e está sujeito à ação de
um conjugado externo. No caso da Terra as forças externas são as
causadas pela Lua e pelo Sol, por isso costuma ser chamada de
"precessão lunissolar" de longo período.
A precessão
faz com que o eixo da Terra se desloque, como um pião bamboleante,
em torno de um ponto central. Este movimento tem um período de cerca
de 26.000 anos e altera constantemente a posição do ponto vernal g.
Devido à precessão, dentro de 12.000 anos, a estrela polar do norte
será Vega, alfa Lirae, em vez da atual alfa Ursae Minoris.
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Recessão
dos Nodos
Ponto nodal é o ponto onde a órbita da Lua cruza o plano
da eclíptica. A recessão dos nodos é a alteração da direção da
linha que une os pontos nodais do sistema Terra-Lua.
Esta
alteração é causada pelo campo gravitacional do Sol, gerando um
ciclo com período de18 anos e 11,3 dias, conhecido como ciclo de
Saros, muito usado na determinação dos eclipses.
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Retardamento
O retardamento ou desaceleração secular é uma
diminuição da velocidade de rotação da Terra, devida ao atrito
das marés, causadas pela Lua (68,9%) e pelo Sol (31,1%). Este
retardamento é de cerca de 1 segundo por século. A energia
dissipada pelas marés transfere parte do momento angular da Terra
para a Lua, que aumenta ligeiramente sua velocidade orbital e conseqüentemente
sua distância.
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Variação
da excentricidade
A órbita descrita pelo centro de massas do sistema
Terra-Lua em torno do Sol tem uma pequena excentricidade (e=0,0167)
que varia ao longo do tempo. Atualmente esta excentricidade está
diminuindo e deve chegar a um mínimo dentro de 24.000 anos, quando a
órbita será quase circular. A Partir daí a excentricidade voltará
a crescer, triplicando o valor atual num prazo de 100.000 anos.
Variação
da obliqüidade
Todos sabemos que o eixo de rotação da Terra faz, com a
perpendicular ao plano da eclíptica, um ângulo de 23,5 graus, e que
este ângulo é que dá origem às estações do ano. Mas devido à
'ovalização' da Terra causada pela rotação e pelas marés lunares
e solares, este ângulo está diminuindo à razão de 46,8" por
século. A diminuição deste ângulo faz com que o cone gerado pela
precessão seja, na verdade ligeiramente espiralado.
02-jun-2004

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