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As constelações

Observatório Phoenix
Dúvidas e perguntas?

 

No ano 4 000 A.C. já se conheciam as constelações do touro, escorpião e leão. Como estes nomes foram escolhidos? Acho que da mesma maneira que as crianças de hoje procuram formas nas nuvens. Algumas se parecem com as formas definidas pelos grupos de estrelas, pelas nebulosas brilhantes ao fundo, ou por alguma característica do conjunto. Os pastores, enquanto velavam por seus rebanhos, tinham noites e noites de observação e achavam que uma estrela tinha relação com as outras, e as agruparam. Sem a correria e a poluição de hoje, puderam acompanhar o deslocamento das estrelas ano a ano, e, para sua identificação, começaram a dar nomes aos grupos mais destacados. Relacionaram seus nomes aos deuses ou animais, e muitas são resultado de lendas. Nossos índios têm lendas belíssimas para explicar a origem de cada constelação. E elas foram nomeadas de maneira completamente diferente dos nomes dados pelos povos "civilizados", mas ainda assim, algumas constelações, nomeadas por povos distantes e desconhecidos, têm o mesmo nome, o que intriga até hoje os pesquisadores. Alguém deve ter tido a idéia de registrar as posições das estrelas num desenho. Outros se entregaram ao desafio insólito de contá-las. O certo é que a primeira gravura impressa em um livro, foi uma representação do céu.

Com o desenvolvimento das ciências, o uso de aparelhos cada vez mais sofisticados para o estudo do céu, tornou-se necessária uma classificação mais precisa. Sabemos hoje, que poucas estrelas estão relacionadas com o grupo que as cerca, e que apesar de aparentemente juntas, podem estar enormemente distanciadas umas das outras. Estudando os registros dos antigos povos do vale do rio Eufrates, dos babilônios e dos gregos, nossos astrônomos ficaram convencidos que uma tradição, vinda de tão longe não deveria ser quebrada.

No século II, Ptolomeu fez a primeira carta estelar, uma compilação de 1022 estrelas, agrupadas em 48 constelações. E não constavam, é claro, as constelações do hemisfério sul, para ele invisíveis. No período das grandes descobertas, no século XV foram introduzidas 12 novas constelações, que apareceram no primeiro Atlas estelar publicado em 1603 por Johann Bayer. Discussões entre os astrônomos acabaram resultando em mais outro tanto. Por exemplo, a constelação de Argus foi considerada muito grande e foi dividida em quatro: Carina, Puppis, Vela e Pixis. Crux, o Cruzeiro do Sul foi separada de Centaurus.

Em 1687, Johannes Hevelius publicou um dos mais belos Atlas, ilustrados com figuras, onde incluiu mais alguns nomes, agrupando estrelas que ficavam entre as constelações conhecidas. Finalmente, Nicolas Louis de La Caille, trabalhando no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, em 1750, completou, com nomes técnicos em evidência na época, as atuais 88 constelações. Posteriormente foram feitas mais algumas tentativas de inventar novas constelações, mas que não foram aceitas pelos astrônomos.

Mas ainda existiam problemas: algumas estrelas menores, às vezes não pertenciam a nenhuma constelação. Povos diferentes chamavam estrelas de nomes diferentes e o formato final da constelação não era o mesmo. Em 1801 Johan Elert Bode (veja em Dicas & Curiosidades: A Lei de Bode) fez uma primeira tentativa de determinar limites para cada constelação, mas não conseguiu uma padronização. Para unificar o sistema, em 1930 a União Astronômica Internacional (sigla em inglês IAU) dividiu o céu em 88 áreas delimitadas por linhas paralelas às de Ascensão Reta e declinação do ano de 1875.0 (1875,0 significa o início do ano de 1875. O decimal indica frações do ano). Os nomes das constelações foi simplificado e padronizado em latim, a linguagem universal dos cientistas e astrônomos, e foram definidas suas abreviaturas e genitivos. Assim a estrela a da constelação dos Cães de caça (Canes Venatici) será escrita como a CVn, e lida como alfa Canum Venaticorum. Algumas estrelas ficaram ligeiramente fora das constelações, como eram conhecidas. Serpens, a serpente, ficou dividida ao meio por Ophiuchus, que são nomeadas como Serpens Caput, a cabeça da serpente, e Serpens Cauda, o rabo da serpente. Nos mapas antigos a serpente aparece enrolada em Ophiuchus, e foi adotado como símbolo da medicina pelos médicos e cirurgiões. A normalização da IAU, de uma maneira geral foi uma grande simplificação das cartas celestes. Desta maneira, todas as estrelas do céu passaram a pertencer a uma, e apenas uma, constelação.

Após 125 anos, com a precessão dos equinócios, observamos que as linhas de AR (ascensão reta) e declinação dos nossos mapas não coincidem mais com estas fronteiras. A precessão também mudou as datas em que o Sol se desloca de uma constelação para outra nas constelações do zodíaco (do grego zoo= animal díaco= círculo), assim o Sol não está mais nos signos usados pelos astrólogos para fazer seus horóscopos. Na realidade o Sol passa hoje por 24 constelações da região da eclíptica.

Um índice e os desenhos das constelações pode ser encontrado na seção D - As constelações.



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