|
Moto
Perpétuo
Nunca vai funcionar!
Adaptado
por
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Propostas de dispositivos de moto perpétuo são
freqüentemente descartadas por cientistas, de forma que, parece ao leigo
como rejeição precipitada, usando afirmações dogmáticas de que tais
dispositivos estão proibidos de funcionar pelas "leis da
termodinâmica". Isto não satisfaz às pessoa que conhecem um pouco
de física, mas consideram as leis da termodinâmica um tanto
'misteriosas'. O próprio caráter de tais leis é estranho à pessoa
comum, porque têm um ar de finalidade e negatividade.
As
leis da termodinâmica e as leis de conservação têm
grande poder porque nos permitem predizer certas coisas sobre um sistema,
sem mesmo, antes, analisar todos os aspectos do mecanismo. Elas permitem
até mesmo predições confiantes a despeito de nossa ignorância de
alguns detalhes ou dificuldades experimentais em examiná-lo.
É claro que os físicos não afirmam que qualquer lei da física
representa, em si, a verdade final e inalterável; isso seria mesmo
anticientífico. O inventor do dispositivo de moto perpétuo (MP)
se lança sobre isto e diz: --- "Tais leis vão nos levar a
desistir de tentar descobrir qualquer coisa nova! E se houvesse uma falha
nessas leis, a qual nós poderíamos descobrir e aproveitar?"
É um detalhe histórico, as leis da termodinâmica foram originalmente
propostas para descreverem o fato de que todas as tentativas prévias de
alcançar movimento perpétuo tenham falhado. Desde então, nós
aprendemos muito mais sobre essas leis, adquirimos um entendimento muito
melhor delas e porque são tão poderosas em descrever o que pode e o que
não pode acontecer na natureza. O moto perpétuo é uma
dessas coisas que não pode acontecer!
Os
dispositivos de MP clássicos podem ser mostrados como possuindo
falhas em conceito ou execução por meios muito mais simples. O jeito
óbvio é simplesmente testar o dispositivo para ver se corresponde às
alegações do inventor. Afirmações fraudulentas podem por vezes ser
expostas deste modo. Mas a reação habitual do inventor é dizer
"Isto precisa de um pouco mais de trabalho para refinar e melhorar o
projeto."
Em outro nível se situam as propostas de MP que ainda não foram
construídas. Tais propostas podem vir de pessoas honestas (embora talvez
mal direcionadas) que conhecem um pouco de física ou engenharia (mas não
o bastante; no geral são 'técnicos' em algo). Como nós poderemos
determinar se essas propostas valem o tempo e o trabalho para serem
desenvolvidas?
Normalmente as propostas de MPs podem ser mostradas como embasadas em
raciocínio falacioso, ou mal entendimento ou má aplicação de leis e
princípios básicos da física bem conhecidos e testados.
Este
pode ser um exercício útil para os leigos interessados, para o estudante
secundário e calouros de faculdade tendo aulas de física, até mesmo
antes de lhes serem expostas as leis da termodinâmica. Meu propósito,
neste documento, é sujeitar algumas das propostas clássicas de
dispositivos de MP a tal análise. No processo nós passaremos a entender
melhor as leis físicas básicas, e entender como elas podem ser mal
entendidas, mal interpretadas e mal aplicadas.
Eu vou direcionar tais exames, sobre as seguintes classes de propostas
e alegações:
(1)
Dispositivos que se alega que podem permanecer em movimento ininterrupto
sem injeção de energia e sem produzir trabalho externo. Obviamente tais
dispositivos exigem energia para começar a se mover, mas nada mais depois
disso. Esta descrição não é nada além de uma declaração do que moto
perpétuo significa. Estes dispositivos não têm nenhum outro
propósito além de maravilhar os espectadores e aborrecer os físicos e
engenheiros. Tais dispositivos não violam necessariamente nenhuma lei ou
princípio da física. Átomos estáveis são objetos físicos cujos
processos internos continuam eternamente sem perda de energia se o átomo
não for perturbado. Assim eles são exemplos de "movimento
perpétuo"; mais especificamente, motos perpétuos de segunda
espécie.
(2) Dispositivos que se alega que podem permanecer em movimento sem
contribuição de energia enquanto produzem energia externa. Tais
dispositivos propostos podem exigir um empurrão para começar, mas
nenhuma injeção de energia depois disso; são os motos perpétuos de
primeira espécie. Este é o tipo de dispositivo que os inventores
buscam. Às vezes o inventor recusa desconectar a bateria de ignição
depois que o dispositivo está se movendo. Suspeito.
(3) Dispositivos que requerem injeção de energia para permanecer
em movimento, mas se alega que produzem energia maior que a energia
introduzida. Hoje em dia algumas pessoas chamam esses de dispositivos
"over-unity" [acima da unidade], porque seus inventores afirmam
que têm eficiências maiores que um (n > 1).
Claramente tal dispositivo (se existisse) poderia ser modificado para se
transformar em um dispositivo classe (2) simplesmente desviando
parte da energia produzida e dirigindo-a de volta no dispositivo.
Curiosamente, inventores que alegam ter feito um dispositivo de sobre-unidade
resistem a qualquer sugestão de fazer isso para provar conclusivamente
suas alegações sobre o dispositivo. Suspeito.
(4) Dispositivos que 'canalizam' alguma hipotética "energia
livre" universal, que vagueia sem destino e que os inventores
imaginam que preencha todo o espaço. Costumava ser a energia do éter
luminífero que estava sendo supostamente canalizada. Agora que nós já
não levamos o éter a sério essas pessoas alegam estar canalizando a
"energia do vácuo". De qualquer maneira, eles afirmam, está
"lá fora" e livre para ser extraída. Se realmente houvesse tal
fonte de energia, estes dispositivos não estariam violando qualquer lei
física. Infelizmente, a fonte de energia normalmente é postulada para os
propósitos do inventor, é, por completo, um produto da mente dele
(misticismo) e não é apoiada por qualquer outra evidência independente.
Assim, ao observador objetivo, estes dispositivos são experimental e
teoricamente indistinguíveis dos do tipo (3).
Uma vez que inventores (perseguidores) de dispositivos de energia livre
alegam que tais dispositivos de fato têm injeções de energia, eles
rejeitam o rótulo de dispositivos de "moto perpétuo". Eles
também rejeitam qualquer sugestão de que poderiam manter os dispositivos
funcionando desviando um pouco da energia produzida de volta no
dispositivo, dizendo que os dispositivos só são capazes de receber
energia de uma fonte de "energia livre" ou que a "energia
livre" é de um caráter sutilmente diferente da energia ordinária.
Alguns
autores classificam os dispositivos de MP através de referência às leis
da termodinâmica que vão violar.
-
Dispositivos
de MP do primeiro tipo (ou de primeira espécie), que violam a
primeira lei da termodinâmica. Eles produzem mais energia que
recebem.
-
Dispositivos
de MP do segundo tipo (ou de segunda espécie), que violam a
segunda lei de termodinâmica. Eles envolvem mudanças nulas ou
negativas da entropia.
Eu
não usarei muito esta classificação, porque quero evitar qualquer apelo
às leis da termodinâmica nestes textos de divulgação científica. Os
exemplos que pretendo descrever são aqueles aos quais é fornecida
análise inadequada em livros padrão e artigos. Muitos não foram
propostos originalmente como dispositivos executáveis, mas como
quebra-cabeças de desafio inteligentes e paradoxos para testar a
compreensão de princípios físicos.
Semanalmente recebo 'propostas' de motos contínuos para serem
acrescentadas no meu site; os interessados podem examinar várias dessas
contribuições pelo endereço: http://www.feiradeciencias.com.br/sala25/index25.asp
.
|