Máquina auto-motriz
(1- Relógio de corda
automática)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
O aluno/leitor já deve saber, após todos esses textos sobre MP, alguma coisa
sobre as máquinas de moto contínuo e sobre a inutilidade de tentar
construí-las. Comentemos, a seguir, sobre aquilo a que chamaremos de máquina
auto-motriz, uma vez que pode funcionar indefinidamente sem interferência
do homem. A sua 'força motriz' é suprida pelas inexauríveis fontes de
energia da natureza ... pelo menos enquanto a natureza é como é.
Poucos
são os que desconhecem um barômetro de mercúrio ou um do tipo aneróide. No
primeiro, uma coluna de mercúrio sobe ou desce ao sabor das mudanças da
pressão atmosférica local. É também a variação da pressão atmosférica
que faz a seta oscilar no barômetro aneróide ou metálico. Um relógio pode
ser construído aproveitando-se dessas permanentes variações da pressão
atmosférica, constituindo-se assim numa verdadeira máquina auto-motriz.
Abaixa ilustramos o mais antigo (séc. XVIII) desses modelos de relógio
'eterno':
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Seu mecanismo consistia em
um grande barômetro de mercúrio que continha cerca de 150 kg desse metal
em dois recipientes de vidro, um com a boca voltada para a boca do outro,
e os dois suspensos de uma armação. Os dois recipientes moviam-se
separadamente. Quando a pressão atmosférica subia, um engenhoso sistema
de alavancas abaixava o recipiente de cima e levantava o de baixo. Quando
a pressão atmosférica caía, acontecia o contrário. Isso obrigava uma
pequena roda dentada a girar sempre no mesmo sentido. A roda deixava de
girar apenas quando a pressão atmosférica se estabilizava. Contudo,
nesses intervalos, o maquinismo do relógio era posto em funcionamento
pela energia potencial já acumulada. E, embora não fosse fácil fazer os
pesos se elevarem simultaneamente e acionar a 'corda' quando eles caíam,
os relojoeiros de outrora eram bastante engenhosos para isso.
Acontecia mesmo que a
energia produzida pelas mudanças da pressão atmosférica era produzida
em quantidade muito maior do que a necessária, fazendo os pesos subirem
antes que tivessem chegado ao fundo. Assim, um mecanismo especial teve que
ser inventado para que os pesos baixassem a intervalos regulares, quando já
tivessem chegado ao ponto extremo de sua elevação.
A diferença fundamental
entre essas máquinas auto-motrizes e as máquinas de moto contínuo
é evidente. A energia das primeiras não é produzida do nada --- o que
sempre pretendem conseguir os inventores das máquinas de moto contínuo.
Essa energia é fornecida por uma fonte exterior --- em nosso caso
particular pela atmosfera circundante na qual ela havia sido armazenada
pela luz do sol. Do ponto de vista prático, uma máquina auto-motriz
traria as mesmas vantagens de uma máquina de moto contínuo --- se esta
tivesse sido inventada --- se não fosse dispendiosa, como acontece em
muitos casos. |
No
trabalho seguinte voltaremos a tratar de outras espécies de máquinas
auto-motrizes mas, é bom saber desde já, do ponto de vista comercial são
inteiramente impraticáveis!
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