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História

Roberto Takata

História1
A expressão Biologia foi usada em seu sentido moderno somente por volta do ano de 1800, cunhada nas palavras gregas bíos (vida) e logia (estudo). Algumas fontes atribuem o pioneirismo de seu uso ao naturalista alemão Gottfried Reinhold Treviranus (1776-1837) por meio de sua obra Biologie order Philosophie de Lebended Natur ("Biologia ou Filosofia da Natureza Viva") editada entre 1802 e 1822; enquanto outras, ao naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829) em sua obra Hydrogéologie ("Hidrogeologia") em 1801. (Para ver mais.)

Apesar disso, as bases do estudo da vida podem ser traçadas até pelo menos a Grécia antiga, época em que Aristóteles (384-322 a. C.) escreveu sobre diversos tópicos relacionados aos seres vivos, como os seus tratados sobre os animais, as plantas e sua estrutura. Seus trabalhos influenciaram os pesquisadores europeus até o Renascimento, quando muito de suas idéias começaram a ser desafiadas pelos novos conhecimentos. Um pouco antes de Aristóteles, outro pensador grego, Hipócrates (460-380 a.C.), e seus discípulos lançavam a base da medicina ao estudar a reprodução humana e seu desenvolvimento. Outros pensadores antigos também contribuíram com esses primeiros estudos dos quais temos registro.

Um grande impulso para o conhecimento da Biologia foi obtido com a invenção do microscópio. Após as primeiras observações do cientista inglês Robert Hooke (1635-1703), em 1655, de um pedaço de cortiça através de um microscópio primitivo e os estudos do holandês Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723) levaram à descoberta das células. Porém somente em 1839, com o botânico Matthias Jacob Schleiden (1804-1841) e com o zoólogo e fisiologista Theodor Schwann (1810-1882), ambos da Alemanha, foi reconhecida a célula como a unidade fundamental da vida.

Em 1735, o naturalista sueco Carolus Linnaeus (Carl von Linné) (1707-1778) publicou seu Systema Naturae ("Sistema Natural"), na qual lançava as bases de seu sistema de classificação hierárquica e a nomenclatura binomial que é utilizada (com modificações) até hoje.

Outro ponto importante no desenvolvimento da Biologia foi dado com a formulação da Teoria da Evolução Biológica através da Seleção Natural pelos naturalistas britânicos Charles Robert Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913), sendo suas idéias lançadas concomitantemente em uma reunião da Linnean Society de Londres em junho de 1858. A obra máxima de Darwin, On the Origin of Species by Means of Natural Selection ("Sobre a Origem das Espécies através da Seleção Natural"), coligindo as informações obtidas em sua longa viagem ao redor do mundo a bordo do navio Beagle e os resultados de seus experimentos de cultivo e criação de plantas e animais domésticos, foi lançada em novembro do ano seguinte. A idéia da evolução dos seres vivos ao longo das gerações não era nova, sendo precedida entre outros por Lamarck em seu Système des animaux sans vertèbres ("Sistema dos animais sem vértebra") de 1801, mas os trabalhos de Wallace e Darwin foram os primeiros a apresentarem indícios sólidos da ocorrência da evolução nos seres vivos e dos meios pelos quais isso ocorria.

Em 1869, Ernst Heinrich Haeckel (1834-1919), biólogo alemão e adepto de primeira hora da nova teoria da evolução por seleção natural, cunhou o termo Ecologia (a partir do grego oikos - casa) para designar o "campo de conhecimento acerca de economia da natureza": isto é, a disposição e as relações entre os elementos da natureza (notadamente dos seres vivos). Em 1935, o ecólogo britânico sir Arthur George Tansley estabeleceria outro termo fundamental nos estudos ecológicos: o ecossistema – enfatizando o funcionamento como uma unidade integral em cada localidade ou hábitat dos componentes bióticos e abióticos do meio – idéia ecoando a concepção expressa por Stephen Alfred Forbes (1844-1930), entomólogo americano, em sua obra de 1887: Lake as a Microcosm ("O lago como um microcosmo"), na qual descreve o lago como um "organismo completo" e também desenvolvendo a noção de cadeia alimentar e teia alimentar (originalmente chamada de ciclo alimentar) estabelecida por Charles Sutherland Elton (1900-1991), biólogo britânico, em 1927. Em 1942, Raymond Lindemann descreveu os fluxos de matéria e de energia em um ecossitema aquático, sintetizando as idéias de Alfred James Lotka (1880-1949), matemático, químico e ecólogo austro-húngaro, naturalizado americano, (ecossitema como um sistema de transformação de energia), de Elton (a teia alimentar como a estrutura do escossistema) e de Tansley (o ecossistema como a unidade ecológica fundamental).

Em meados do séc. 19, o médico francês Claude Bernard (1813-1878) desenvolveu seus estudos de fisiologia, criando o conceito da constância do meio interno ("millieu interieur"), mais tarde (em 1932) denominada homeostase por Walter Bradford Cannon (1871-1945), fisiologista americano – enfatizando a propriedade dos seres vivos de auto-regularem as condições internas de seus organismos.

No ano de 1900, o holandês Hugo Marie de Vries (1848-1935), o alemão Carl Erich Correns (1864-1933) e o austríaco Erich Tschermak von Seysenegg (1871-1962), todos botânicos, redescobriram independentemente os trabalhos do monge agostiniano austríaco Gregor Johann Mendel (1822-1884), confirmando seu trabalho sobre a hereditariedade em ervilhas publicado em 1866. Diversos trabalhos, entre os quais se destaca o do biólogo americano Thoman Hunt Morgan (1866-1945) e seus colaboradores, com a mosca-da-banana Drosophila melanogaster, posteriormente desenvolveram as idéias de Mendel, fundando a Genética.

Baseados, entre outros, nos trabalhos da físico-química britânica Rosalin Franklin (1920-1958) e biofísico britânico Maurice Hugh Frederick Wilkins (1916- ), o bioquímico americano James Dewey Watson (1928- ) e o biofísico britânico Francis Harry Compton Crick (1916- ), chegaram à estrutura da molécula que codifica os genes, o ADN, em um trabalho publicado em 1953. Watson e Crick foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962 pela descoberta.

Com isso a Genética ganhou um grande impulso, gerando as atuais técnicas de seqüenciamento de genomas e de bioengenharia: com os organismos transgênicos e as terapias genéticas levantando uma grande discussão nos dias de hoje sobre biossegurança e bioética. Os problemas de poluição e degradação do ambiente gerados com o desenvolvimento econômico e o crescimento populacional, e o conseqüente aumento do padrão e da escala de consumo, levaram também a uma maior preocupação da relação dos seres vivos com o meio-ambiente, em especial do ser humano com seu ambiente, intensificando as pesquisas na área do meio-ambiente.


Para ver mais
Biology – http://encarta.msn.com/encyclopedia_761561884/Biology.html
What is ecology? – http://www.users.csbsju.edu/~dgbrown/BIOL334/Ancillary%20Notes/ecohistory.html

Nota1: A Biologia é um campo vasto e dificilmente poder-se-ia cobrir a contento mais de 2.000 anos de uma história extremamente ramificada, sinuosa e intrincada. Os pontos aqui considerados foram destacados seguindo critérios mais ou menos arbitrários (e totalmente pessoais). Muitos tópicos igualmente importantes poderiam ser enfatizados, mas foram omitidos por questão de espaço.

 


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