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Montagem
e organização de um herbário
Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Julgo
bastante interessante essa sugestão que lhes apresento para sua
próxima Feira de Ciências: a
montagem e organização de um Herbário.
Certamente será um trabalho diferente, cujo sucesso estará
diretamente ligado à 'garra' e ao espírito de investigação
científica da equipe. Antecipando o sucesso, você ainda poderá
conseguir espécimes raros ou até mesmo curiosos, como é o caso
das plantas insetívoras, tornando-se até, quem sabe, um estudioso
e criador dessas espécies vegetais.
Introdução
Um herbário deve ser considerado com um excelente meio de
documentação científica de espécies vegetais. Assim, tem por
finalidade o estudo e a catalogação das inúmeras espécies de
plantas que habitam o nosso planeta Terra. O tipo de estudo que se
pretende fazer é que orienta o método de como devemos coletar e
herborizar um determinado exemplar, embora a técnica de
herborização praticamente não sofra grandes modificações.
Podemos estudar a morfologia externa, a taxonomia e sistemática de
classificação dos vegetais, a distribuição ecológica das
espécies vegetais e outras. Por outro lado essa atividade
científica é muito valiosa do ponto de vista de torná-lo um bom
observador e permitir a você um encontro efetivo e real com a
natureza. Sob este aspecto, sabemos que boa parte das pessoas que,
por exemplo, tem a oportunidade de entrar em uma mata, floresta ou
até mesmo num pequeno bosque, tem grandes dificuldades de “enxergar”
a grandiosa e sem-número de variedade de formas, cores, sons,
perfumes; movimentos, que lá se manifesta. Muitas apenas conseguem
perceber que o ambiente é agradável e “verde”.
Mas o
que é um herbário afinal de contas? Publicado pelo
Instituto Botânico, de SAKANE, M., 1984, o manual de “Técnicas
de coleta, preservação e herborização de material botânico”,
nos diz que:
“Um
herbário é uma coleção de plantas mortas, secas e
montadas de forma especial, destinadas a servir como documentação
para vários fins. Ele é utilizado nos estudos de identificação
de material desconhecido, pela comparação pura e simples com
outros espécimes da coleção herborizada; no levantamento da
flora de uma determinada área; na reconstituição do clima de uma
região; na avaliação da ação devastadora do homem ou da ação
deletéria da poluição; na reconstituição do caminho seguido
por um botânico coletor, etc. Muito é possível conseguir-se pelo
simples manusear de exsicatas de um herbário”.
[vocabulário:
exsicata:
Exemplar dessecado de uma planta qualquer, conservado nos
herbários.]
Nosso
objetivo, entretanto, não é tão amplo, mas bastante valioso para
você que é fascinado pela natureza e se encontra nessa fase do
estudo, de alguma forma ligado ao tema. Propomos, então, para essa
atividade, que você faça coletas e organize uma coleção de
plantas com o objetivo do estudo da “Morfologia Externa dos
Vegetais”.
Lembramos que o sucesso na execução dessa tarefa vai depender
diretamente do planejamento estabelecido no início do trabalho.
Assim, como primeiro passo, recomendamos fazer um estudo detalhado
dos vários órgãos ou estruturas que deverão constar no seu
trabalho. Vencida esta etapa, você deverá proceder à coleta
desses materiais para herborizá-los, conforme a técnica que
iremos descrever mais adiante, tendo o cuidado de fichá-los. Como
sugestão daremos o modelo de uma ficha de coleta.
Finalmente,
lembramos que é muito importante você não se limitar apenas à
herborização de plantas que tenham sido citadas nos textos
pesquisados, pois existe uma variedade imensa de outras plantas com
as mesmas características.
Herborização
Este processo consiste na secagem de exemplares
coletados, através de técnicas simples, procurando-se preservar a
forma e a estrutura dos mesmos. Quando
isto não for possível, por questão de dificuldades no tamanho ou
na raridade do material, é válido usar recursos fotográficos.
Material
acessório para herborizar
-
folhas de papelão canelado (30 x 40) cm, sendo as canaletas
dispostas perpendicularmente ao maior lado da folha;
- folhas de jornal dobradas, do mesmo tamanho das folhas do
papelão canelado;
- duas pranchas de “Duratex” de (30 x 40) cm;
- folhas de cartolina ou papel cartão de (30 x 40) cm
- cordoné ou fio de sisal;
- agulha de costura e linha
- etiquetas e pequenos envelopes
Técnica
para herborizar
1.
Interpor o material coletado em folhas de jornal dobradas,
distendendo-o, de modo que os órgãos ou estruturas não se
sobreponham. Essas serão suas primeiras pastas.
2. Intercalar cada uma das pastas do item anterior com folhas de
jornal dobradas e para cada conjunto de duas outras pastas,
intercalar folhas de papelão canelado.
3. Nas faces externas dessa pilha de pastas, colocar as pranchas de
“Duratex” e amarrar o conjunto fortemente para prensar o
material.
4. Manter o material prensado em estufa ou lugar quente e seco,
para que se processe a secagem, podendo, até mesmo, expô-lo ao
sol.
5. Trocar periodicamente as folhas de jornal caso o material
prensado não permaneça em estufa. Não existe tempo determinado
para a secagem.
6. Retirar da prensagem o material já seco e fixá-lo nas folhas
de cartolina com linha, colocando no canto direito inferior a
etiqueta de classificação e no canto esquerdo superior o pequeno
envelope, o qual servirá para guardar partes do material que,
eventualmente, se destaquem durante o processo de secagem ou
montagem.
7. Evitar a danificação do material por insetos, usando
naftalina.
Relação
do material botânico
Os componentes abaixo relacionados deverão, sempre que
possível, ser herborizados. Caso contrário você poderá usar
recursos fotográficos, mas nunca recortes de livros, jornais,
revistas ou fotocópias.
1.
Raiz
1.1
Regiões da raiz - Herborizar uma planta inteira, indicando as
seguintes regiões da raiz: coifa, crescimento, pilífera,
ramificações e colo.
1.2 Tipos fundamentais de ramificações - Herborizar um exemplar
de cada tipo: axial ou pivotante e raiz fasciculada.
1.3 Tipos de raízes - Herborizar ou fotografar um exemplar de cada
tipo:
1.3.1.
Subterrânea: axial, fasciculada, tuberosa axial e tuberosa
fasciculada.
1.3.2. Aéreas: suporte, cintura, estrangulante, tabular,
pneumatóforos, sugadora e grampiformes.
1.3.3. Aquáticas
1.3.4. Adventícias
2.
Caule
2.1
Regiões do caule - Herborizar uma planta inteira, indicando as
seguintes regiões: nós, internós, gema apical e gemas laterais.
2.2 Tipos fundamentais de ramificações - Herborizar um exemplar
de cada tipo: monopodial, simpodial e dicásio.
2.3 Tipos de caules - Herborizar ou fotografar um exemplar de cada
tipo:
2.3.1.
Aéreos de estrutura normal: tronco, estipe, colmo cheio, colmo
oco, volúvel (dextroso ou sinestroso) e sarmento.
2.3.2. Aéreos de estruturas modificadas: suculento cladódio,
filocládio, espinho e gavinhas.
2.3.3. Subterrâneos de estrutura normal: rizoma e tubérculo.
2.3.4. Subterrâneos de estruturas modificadas: bulbo tunicado,
bulbo escamoso e bulbo sólido.
3.
Folha
3.1
Elementos da folha - Herborizar um exemplar de cada tipo:
3.1.2.
Folhas completas: com estípulas normais e com estípulas
transformadas em gavinhas, espinhos e lâminas assimiladoras.
3.1.2. Folhas incompletas: peciolada, invaginante, séssil,
filódio.
3.2
Morfologia Externa - Herborizar um exemplar de cada tipo:
3.2.1.
Quanto às subdivisões do limbo: folha simples (limbo indiviso)
e folhas compostas (imparipenadas, paripenadas, bifoliadas,
trifoliadas, e digitadas).
3.2.2. Quanto à forma do limbo: assimétricas, orbiculares,
obovadas, ovadas, lanceoladas e oblongas.
NOTA: Usar a chave de classificação (abaixo).
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Chave
de classificação quanto à forma do limbo
(segundo, Pereira, C. e Agarez, F.U. -
Botânica.Ed.Interamericana. 1980) |
1. Um dos lados do limbo
diferente do outro.
1. Lados iguais entre si.
2. Limbo arredondado ou quase.
2. Limbo não arredondado.
3. Limbo mais longo na base ou no vértice.
3.Limbo mais longo no centro ou largura do limbo
aproximadamente igual à da base ou no ápice.
4. Limbo mais longo no ápice.
4. Limbo mais longo na base.
5. Limbo mais longo no meio.
5. Largura do limbo aproximadamente igual à da
base ao ápice. |
Assimétrica
2
Orbiculares
3
4
-
5
Obovadas
Ovadas
Lanceoladas
-
Oblongas |
3.2.3.
Quanto ao recorte do limbo: lobadas. cletradas e sectas.
3.2.4. Quanto á venação ou nervação: uninérvea,
curvinérvea, paralelinérvea, palmitinérvea, radicada e
peninérvea.
3.3
Heterofilia - Herborizar um exemplar.
3.4 Folhas transformadas - Herborizar um exemplar de cada um dos
seguintes tipos: catafilo, bráctea, gavinha, espinho,
cotilédones, e se possível, insetívora.
3.5 Filotaxia - Herborizar um exemplar de cada um dos
seguintes tipos: alternada, oposta e verticulada.
4.
Flor
4.1
Verticilos florais - Herborizar um exemplar cortado
longitudinalmente, indicando os quatro verticilos: cálice,
corola, gineceu e androceu.
4.2 Simetria floral - Herborizar um exemplar de cada tipo de
flor: assimétrica, actinomorfa e zigomorfa.
4.3 Posição do ovário - Herborizar um exemplar cortado
longitudinalmente de cada um dos tipos de flor: hipógena,
perígena e epígena.
4.4 Inflorescência - Herborizar cada um dos tipos: espiga,
espádice, cacho, corimbo, umbela, capítulo e dicásio.
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Modelo
de ficha de coleta |
Classificação
do vegetal:
nome científico ______________________
nome popular _______________________ |
Classificação
da estrutura:
nome ______________________________
tipo _______________________________
Observações antes de
herborização:
__________________________________
__________________________________
Observações após a
herborização:
__________________________________
__________________________________ |
Coletado
por:______________________
Data da coleta:____________________
Local da coleta:___________________
Características do local:_____________
__________________________________
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